eco-vegan lifestyle

  • Sarah Mendonça

VEGANISMO NA PRIMEIRA INFÂNCIA

O que os órgãos e diretrizes relatam sobre a possibilidade de obter saúde desde a primeira infância, baseando- se em uma alimentação livre de animais.


A European Society for Paediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition (ESPGHAN), a AmericanDietetic Association (ADA), a Academy of Nutrition and Dietetics (AND) e a American Academy of Pediatrics (AAP) assumem que a implementação de um regime alimentar vegetariano bem planejado, mesmo na diversificação alimentar, é passível de satisfazer as necessidades nutricionais dos lactentes e permitir o seu normal desenvolvimento. A ESPGHAN alerta, no entanto, que a dieta vegana nos primeiros anos de vida só é segura mediante supervisão médica e adequada orientação nutricional.


A alimentação a partir dos 12 meses de idade, deve ser iniciada junto a alimentação da família. Onde o apetite da criança deverá ser respeitado, pois, passará por picos e fases de crescimento que interferem aceitação de alguns alimentos.


Deve priorizar o consumo de alimentos frescos evitando os mais processados e ofertar as refeições em intervalos máximos de 3 horas, para garantir a ingestão recomendada de calorias ao dia e oferta de micronutrientes (vitaminas e minerais).

As bebidas vegetais (como exemplo, soja, arroz, amêndoas e aveia), não deverão ser introduzidas antes dos 24 meses e não deverão substituir a fórmula infantil. Por não fornecerem quantidade suficientes de energia, cálcio, proteína, niacina e vitaminas (C, D, E). As fórmulas infantis poderão ser oriundas de soja ou arroz (porém, existe certa resistência ao consumo da FI de arroz, por conter risco de contaminação por arsênio). Estes alimentos são enriquecidos por vitaminas, minerais e gorduras, em níveis que supram a faixa etária recomendada.


A vitamina B12 deverá ser analisada em período gestacional e lactação, ambas as fases deverão ser monitoradas e ofertadas a suplementação necessária conforme resultados bioquímicos. A partir dos 6 meses de vida, a criança vegana deverá realizar suplementação de vitamina B12. As dosagens dependerão dos níveis mantidos durante a gestação e lactação. Ressalto, a não oferta de vitamina B12, poderá aumentar o risco e compromisso irreversível do desenvolvimento cerebral, anemia megaloblástica e de déficit de crescimento.


O zinco é um mineral importante para o sistema imunológico, crescimento e função neurológica. O leite materno contém teores suficientes em zinco para as necessidades do lactente até aos 7 meses de vida. A partir da introdução alimentar poderá ser ofertado alimentos, como leguminosas, gérmen de trigo, cereais integrais, oleaginosas. Deverá ser realizado o processo demolho das leguminosas, para remover os fitatos (compostos que reduzem absorção de ferro, cálcio e zinco). O demolho deverá ser realizado por 24 horas, descartado a água e cozinhar em uma nova.


A suplementação de ferro deverá ser realizada até os 2 anos de idade. Conforme Ministério da Saúde, a suplementação estará direcionada a crianças veganas e onívoras.


Crianças podem ser veganas desde que orientadas por um profissional capacitado. Pois, a oferta calórica e de nutrientes precisará ser realizada para gerar crescimento e desenvolvimento saudável.


Conforme citado ao longo do texto, inúmeros órgãos afirmam a viabilidade do veganismo na infância poder gerar benefícios para ao longo da vida.


Sarah Mendonça

@sarahmnutri

nutrisarahm@gmail.com



Fontes:


PIMENTEL, D.; TOMADA, I.; RÊGO, C. Alimentação vegetariana no primeiros anos de vida: considerações e orientações. Revista Acta Portuguesa de Nutrição, Porto, v. 14, p. 10- 16, 2018.

PINHO, L. ET al. Alimentação vegetariana em idade escolar. Programa Nacional para a promoção de alimentação saudável. Direção geral da saúde, 2006.



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