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  • Taiara Desirée

COMPAIXÃO INTELIGENTE E TQR: BATE PAPO COM LIA BELTRÃO

Atualizado: 31 de Ago de 2019

Lia Beltrão concedeu entrevista exclusiva ao Bloguesia falando sobre o Trabalho Que Reconecta, metodologia desenvolvida pela eco-filósofa Joanna Macy, e sobre a oficina que está oferecendo, chamada Compaixão Inteligente.



Lia Beltrão é jornalista, aluna no Lama Samten desde 2006 e tutora do CEBB, e conheceu o Trabalho Que Reconecta enquanto editava e produzia um texto para a Revista Bodisatva n.31, dedicada a Budismo e Crise Ambiental. Realizou um Curso Intensivo voltado para formação de facilitadores do TQR, no Chile, ministrado por um aluno próximo de Joanna Macy, Adrián Galarza. Atualmente, está em formação no Work That Reconnects Facilitator Development Group, ministrado por Lydia Harutoonian, com participação da própria Joanna Macy.


Conheci a Lia através do CEBB João Pessoa, fiquei encantada com o trabalho que ela vem facilitando e por isso abri esse espaço para compartilhar com vocês um bate papo bem especial. Vamos conferir?!



TAIARA. Oi Lia, obrigada por aceitar o convite e por sua presença aqui o Bloguesia, seja bem-vinda. Para iniciarmos nosso bate papo, fala um pouco sobre você, seu estilo de vida e as coisas que mais lhe motivam.

LIA. Eu sou de João Pessoa, mas moro no Rio Grande de Sul, em um centro de retiro, faz três anos. Antes disso, por conta da minha conexão com o budismo e com meu professor, Lama Padma Samten, morei no CEBB Darmata, que é um outro centro de retiro do CEBB que fica em Timbaúba- PE. A leitura que faço é que fui para lá porque comecei a me questionar mais profundamente sobre que tipo de vida eu queria ter, onde gostaria de colocar minha energia. Eu tinha 28 anos, estava bem frustrada com meu trabalho com projetos sociais em Recife. Estava envolvida com isso desde a graduação e apesar de ter tido experiências maravilhosas, aquilo parecia não dar frutos, e muitas vezes parecia estar gastando minha energia à toa. No Darmata, em meio ao trabalho para estruturar o centro, os estudos e as práticas budistas, essas perguntas que eu me fazia começaram a se aprofundar e ganhar mais sentido dentro de um contexto mais amplo dos ensinamentos.



TAIARA: Você é facilitadora do Trabalho Que Reconecta (TQR) aqui no Brasil. Você poderia nos contar um pouco sobre a Joanna Macy e esse lindo movimento criado por ela?

LIA. Sim! Eu conheci a Joanna Macy durante a pesquisa que estava fazendo para uma edição da Revista Bodisatva (na qual colaboro como editora) sobre crise ambiental. Tinha pesquisado um monte sobre quão graves são as consequências da mudança climática no planeta e como isso irá muito possivelmente - e em breve! - afetar de forma direta nossas vidas, entre outras coisas, por conta da escassez de água e alimento. Em meio a esses dados super impactantes, comecei a ver um vídeo da Joanna Macy e tive certeza que estava diante de um ser humano que tinha total clareza do tamanho do problema e que resolveu olhar diretamente para ele com muito amor e muita compaixão. Ela identificou que um dos principais problemas para lidar com a crise ecológica, social e política que vivemos não são exatamente as mega estruturas de nossa sociedade mas as armadilhas que nossa mente usa para não entrar em contato com o sofrimento massivo ao qual estamos expostos. Ou pelo menos é assim a minha leitura dos ensinamentos dela... :)


Fiquei tão comovida que acabei viajando para o Chile para fazer um treinamento intensivo com um aluno próximo dela, o Adrián Villaseñor Gallarza. E foi maravilhoso.




TAIARA. Seguindo a pergunta anterior, você poderia falar um pouco sobre o Trabalho Que Reconecta no Brasil?

LIA. Sim! A boa notícia é que em novembro, esse treinamento vai acontecer no Brasil pela primeira vez, com facilitação do Adrián e da Polliana Zocche, que está super dedicada ao florescimento dessa metodologia aqui do Brasil. Já temos várias pessoas inscritas mas ainda há vagas.


Outra coisa legal que vai acontecer é a publicação do livro Active Hope, da Joanna Macy, em português pela editora bambualeditora.com.br. A partir do lançamento do livro, a Polliana Zocche e eu vamos dar início a um grupo de estudo online, com encontros regulares, para estudarmos juntos este e outros textos que consideramos complementares ao pensamento da Joanna Macy. Quem se interessar em participar de alguma dessas atividades é só escrever para: trabalhoquereconecta@gmail.com



TAIARA. Quanto à Palestra e Oficina – “Compaixão Inteligente: como não paralisar diante de um mundo em crise?” – que você está ministrando pelo Nordeste, como as pessoas podem se beneficiar ao participar desses encontros?

LIA. Nas oficinas iremos ser apresentados às quatro etapas do Trabalho Que Reconecta e vivenciar cada uma delas através de meditações e exercícios práticos. A proposta dessas oficinas é que a gente gere uma maior intimidade com a nossa própria experiência interna diante daquilo que nos perturba, e no TQR isso é feito de forma coletiva e através de exercícios que estão sendo testados há cerca de quarenta anos!




TAIARA. Em breves palavras, como podemos encarar a dor do nosso mundo de uma maneira transformadora?

LIA. Primeira coisa e mais difícil: estar com a dor. Temos a tendência a ou suprimir ou exagerar o que surge internamente. Isso revela uma inabilidade, uma falta de inteligência interna para lidar com as emoções, que é generalizada em nossa cultura. Mas essa inteligência está disponível. Nossa mente tem qualidades que podem ser cultivadas e são elas que vão nos ajudar a não apenas encarar a dor mas saber como agir no mundo de forma mais benéfica.



TAIARA. Quem pode participar da Palestra e Oficina? Como fazer a inscrição e em quais cidades você estará?

LIA. As atividades são abertas a todos. Depois de João Pessoa, vou estar em Natal e Fortaleza e dá para se inscrever através do site do CEBB - cebb.org.br



TAIARA. Por fim, qual mensagem você gostaria de deixar para os leitores?

LIA. Acho que uma das coisas mais importantes que aprendi estudando o budismo foi o poder do paradoxo - o budismo está cheio deles! Por exemplo, nós não somos capazes de consertar o mundo. O mundo não é "arrumável", a gente não vai conseguir controlar e manipular a realidade até chegar a esse estado de perfeito equilíbrio que muitos de nós aspiramos. No entanto, a gente pode, ao mesmo tempo que contemplamos a nossa falta de controle sobre a realidade, colocar nossa vida inteira - 100% dela - em marcha para que todos os seres desse planeta possam ser genuinamente felizes. Uma professora budista fala que isso é como "queimar de amor em um mundo que não podemos consertar". Pessoalmente, acho que integrar nossa vida com esse paradoxo é o melhor que podemos fazer!





Que alegria poder compartilhar com vocês mensagens tão lindas e inspiradoras. Espero que tenham gostado e que esse conteúdo traga benefícios para todos. Obrigada, Lia Beltrão, por dividir conosco um pouco dos teus aprendizados.


Para estimular a reflexão, sugiro que compartilhem amplamente esse post e, por fim, recomendo de coração que acompanhem:


Gratidão por sua visita, um fraterno abraço e até mais!

Taiara Desirée



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