eco-vegan lifestyle

  • Jessica Queiroz

CONSUMO DE ANIMAIS E DOENÇAS INFECCIOSAS – A COVID-19

Como a pandemia alertou o mundo sobre a necessidade emergente de repensar nossos hábitos alimentares.



O consumo de animais pelos seres humanos, ao longo de toda a história do mundo, esteve por vezes atrelado a doenças que foram surgindo ao longo do tempo. De acordo com uma pesquisa recentemente realizada pela ONU – Organização das Nações Unidas para a FAO – Agricultura e Alimentação, cerca de 70% das enfermidades surgidas desde 1940 são de origem animal, o que tornou evidente e imprescindível ao ser humano rever seus hábitos alimentares.


Muitas das enfermidades advindas da utilização de animais para consumo, bem como de seus derivados, ganharam espaço nos jornais em todo o mundo e se tornaram um grande terror para a humanidade. Uma dessas doenças foi a chamada “Doença da Vaca Louca”, tecnicamente sob a nomenclatura de encefalopatia espongiforme bovina, surgida na Grã-Bretanha em 1986.


Apesar dos esforços das autoridades britânicas, os números de pessoas infectadas pelo vírus da nova doença se elevavam rapidamente. Um artigo da Animal Equality Brasil (organização mundial dedicada à proteção animal) que trata do assunto, atrela o surgimento da moléstia ao fato de que gados estavam sendo alimentados com “alimentos enriquecidos com farinhas produzidas pela incineração de ossos de outros bovinos previamente abatidos”, ou seja, estes animais foram sujeitados ao que chamamos de canibalismo.


Assim, as pessoas que de alguma forma tiveram contato ou se alimentaram desses animais contaminados adquiriram o vírus. O sintoma principal da doença em humanos é a confusão mental à qual fica submetido o enfermo, afetando ainda a coordenação motora, bem como ocasionando a perda de memória. O único tratamento disponível para esta enfermidade é para o controle dos sintomas, visto que ela não possui cura.

Conforme matéria publicada no site do G1 em 2018, o surgimento da epidemia levou a Grã-Bretanha a proibir a utilização de miúdos bovinos para o consumo humano. O mesmo estudo afirma que, numa tentativa de minimizar a contaminação de seres humanos pelo vírus, mais de quatro milhões de animais foram sacrificados.

Apesar do número de mortes e de infectados pela doença, que terminou por se espalhar por diversos países no mundo, pouco se fala e se conhece sobre a moléstia. O Reino Unido estabeleceu medidas de prevenção e um sistema mais rigoroso para a produção de carne para o consumo humano, o que sabemos que não impediu o surgimento de novas moléstias atreladas ao que é ainda chamado de “ciclo natural da vida”, como se a morte de outros seres pudesse ser justificada por tal banalidade.


Em contrapartida a todo o processo doloroso para as pessoas e os animais contaminados pela encefalopatia espongiforme bovina, tal epidemia traria futuros positivos ao Reino Unido. Isto porque o país possui o maior número de adeptos ao veganismo no mundo inteiro, contabilizando mais de um milhão de novos veganos somente em 2020.


Tal evento tem se repetido após a chegada da Covid-19, devido ao grande número de estudos e pesquisas que relacionam o surgimento do vírus a uma zoonose, isto é, uma infecção transmitida de animais para humanos (surpresa! Não, o vírus não foi criado num laboratório e espalhado no mundo através de itens comprados no mercado online chinês).


A ligação entre a covid-19 e o consumo de animais levou as pessoas a se preocuparem mais com sua alimentação, preferindo alimentos naturais e sem ingredientes de origem animal. Além do mais, as pesquisas apontam que as melhores formas de manter o corpo preparado para lidar com o vírus ou qualquer outra enfermidade infecciosa, é fazendo a ingestão de vitaminas como as do complexo C e D, facilmente encontradas em frutas, legumes, vegetais e cereais.


O interesse pelo veganismo após uma pandemia mundial, que, só no Brasil já fez mais de 270 mil vítimas fatais, gerou a ampliação do mercado para, assim, atender a demanda, bem como obrigou empresas, estabelecimentos e multinacionais a modificarem sistemas de produção, a criarem produtos para atender ao novo público e se educarem acerca do assunto.


Portanto, a encefalopatia espongiforme bovina e a covid-19 são apenas dois exemplos de numerosas doenças que tem por origem a persistente ação humana em utilizar animais para consumo, como também o são a gripe espanhola, a h1n1, entre outras.


O que se aprende diante de tudo isso é que a explicação é clara e simples: nós não fomos feitos para nos alimentar de outros animais, bem como um animal não foi feito para que se alimente de sua própria espécie, e isto gera danos, muitas vezes, irreparáveis. Espera-se que, perante todas as situações às quais a humanidade se submeteu no decorrer dos anos por seus hábitos alimentares sirva de start para a mudança. É o que o planeta espera de nós. É o que nós devemos a nós mesmos.


Por Jéssica Queiroz

Advogada e escritora

OAB/PB 28.898

@jessicaaqueiroz_


FONTES:

Artigo Abril Saúde: https://saude.abril.com.br/medicina/por-que-e-importante-descobrir-a-origem-do-novo-coronavirus/

Artigo Animal Equality: https://animalequality.org.br/blog/doencas-que-foram-consequencias-diretas-do-consumo-de-carne-e-produtos-de-origem-animal/

Artigo G1: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/2018/10/18/doenca-da-vaca-louca-o-que-se-sabe-sobre-o-caso-registrado-na-escocia.ghtml

Estudo ONU: https://www.hypeness.com.br/2020/03/onu-consumo-elevado-de-carne-responde-por-70-de-novas-doencas-em-humanos/

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