eco-vegan lifestyle

  • Pe. Paulo Cesar

O DESPERTAR ANIMAL NA TEOLOGIA CRISTÃ

Sinais de acolhimento e socorro ético do sofrimento animal pela Teologia Cristã.


Diante da crise ética-moral-ecológica que vivemos, muito se tem cobrado que as religiões, em geral, não se posicionam frente às crueldades que flagelam o planeta. De fato, muito pior do que o silêncio dos que calam, é a indiferença dos que podem ajudar na mudança de uma funesta realidade e não o fazem. As religiões, por dominarem, mesmo que inconscientemente, o “modus operandi” humano, poderiam ser um fator de revolução nesta “cultura de morte” que estamos inseridos, na qual os animais não humanos são os mais penalizados.


Porém, as religiões não são absolutamente omissas no que tange à ética animal não-humana. Tomando apenas o Cristianismo (alicerce da cultura Ocidental), encontraremos um farto e vasto material em prol da Criação e do meio-ambiente. Podemos elencar três fontes: a Bíblia Sagrada, a tradição da Igreja (escritos de santos, doutores e papas) e a Teologia da Criação (um conceito teológico, sustentado por quase todas as religiões, segundo o qual o universo teria sido formado a partir da decisão e da ação de uma divindade). Este último fator reflete o progresso do ensinamento teológico.

Entre os defensores modernos da causa animal não-humana no cristianismo, podemos destacar o Reverendo Anglicano Humphy Primatt (1735-1776) e Andrew Lindsey (1952...), de maneira indireta o Pastor Luterano Jürgen Moltmann (1926...) e também indiretamente, por meio de suas encíclicas e catequeses, o Papa Francisco (1936...). Quanto a este último, é verdade que come carne e não fala em veganismo, mas suas manifestações nos dão todos os argumentos para propor a ética vegana como um caminho para superar os flagelos universais criados e impostos pela prática humana.



No Brasil, entre os defensores da causa animal não humana, temos os freis capuchinhos Gilmar Zampieri e Luís Carlos Susin, do Rio Grande do Sul, autores do livro “A Vida dos Outros”, que inaugura a literatura da Teologia da Libertação Animal em nossa realidade. Sabemos também, da existência de muitos cristãos que estão aderindo e percebendo que o uso da religião para legitimar a exploração dos animais não humanos é um verdadeiro absurdo e contratestemunho, que coloca a prática atual do cristianismo em xeque.

Percebemos que a indiferença em relação ao sofrimento dos animais não humanos não é uma falha da religião em si, mas sim da práxis da imensa maioria dos “religiosos”.

Infelizmente encontramos entre muitos “líderes” cristãos até mesmo uma impiedosa perseguição ao movimento vegano, pregando uma exploração desenfreada dos nossos irmãos de Criação e procurando ridicularizar o público vegano ou fazendo uma covarde apologética utilitarista na intenção de passar a imagem do povo vegano cristão como herético ou anátema da fé. É muito lamentável testemunhar tais fatos. Uma religião que não leve em conta a vida das demais criaturas não deveria existir.

Por isso, o contratestemunho de muitos cristãos e seu preconceito contra os defensores dos animais não humanos jamais deve, de maneira alguma, causar desânimo ou desmotivação para com a luta pela libertação animal.


Ser imagem e semelhança de Deus é ser compassivo e misericordioso, é ver em cada criatura o seu traço de amor.

Em menos de um século, muitas religiões estarão pedindo perdão ao Ser Supremo pelo modo como foram indiferentes e cruéis para com Suas criaturas hoje. A cada crítica e julgamento recebido, faça Deus frutificar nos ativistas pelos animais não humanos, um novo motivo para prosseguir em frente. Estar certo não é estar junto com a maioria, mas sim, com a verdade.

Padre Paulo Cesar Rosa da Conceição

Vigário da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, Campo Bom – RS

Fone: (51) 99567-9656

E-mail: crcpaulo70@gmail.com

Instagram: @pe.paulocesar

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