eco-vegan lifestyle

  • Guilherme Fioravanti

MINHA ESCOLHA ALIMENTAR DIZ RESPEITO APENAS A MIM?

Afinal, cada um se alimenta como quer? Vamos refletir sobre isso!



“Cada um deve comer o que quiser e respeitar a escolha alimentar do outro.”

Muitos veganos ou vegetarianos já ouviram frases similares ou iguais a essa, e provavelmente se você ainda consome carne ou derivados, acredita que assim deve ser. Mas será que existe um fundamento sólido por trás desse preceito? Será que o outro está afrontando minha liberdade quando diz o que devo ou não comer?


Em um momento de constantes divergências de opiniões e polaridade política cada vez mais exacerbada, conversar sobre temas polêmicos está cada vez mais difícil. A busca do convencimento da nossa verdade tem sido cada vez mais o único objetivo de qualquer diálogo. Já não nos importamos muitas vezes com a veracidade da informação, contanto que ela prove nosso ponto de vista e desconsideramos tudo que de certa maneira não queremos ouvir. Tais posturas nos impedem de entender e filtrar possíveis pontos positivos e verdadeiros apresentados pelo outro e dificultam uma visão imparcial, menos passional e mais coerente sobre o tema.


Raramente nos perguntamos se o que estamos passando adiante é ou não verdade, se vai ou não acrescentar algo na vida de quem recebe, se é realmente necessário repassar aquela informação e, por fim, mas não menos importante, se vai afetar negativamente alguém. Se “peneirássemos” tudo que falássemos dessa maneira, certamente ficaríamos muito mais calados.


É com tal contextualização que convido o leitor a “navegar” por esse texto de maneira leve e com a “guarda baixa”, buscando filtrar e absorver o que considera oportuno e entendendo que o objetivo principal do autor é provocar reflexões e questionamentos que podem ou não trazer mudanças, mas que certamente trarão certo conhecimento do assunto.


Liberdade de expressão, respeito ao próximo, livre-arbítrio. Para a grande maioria, tais implicações estão de acordo com os princípios éticos e são incontestáveis. Então por que veganos simplesmente não respeitam a decisão do outro e constantemente exigem mudanças de seus hábitos, principalmente alimentares? Nossa liberdade tem extrema importância em nossa vida, porém ela só vai até onde não ultrapassa a do outro. Para exemplificar, se quero fumar, fumo, mas a partir do momento que a fumaça incomoda outra pessoa, já não posso justificar meu ato clamando apenas ser uma decisão pessoal. Foi a partir desse princípio e da prova científica que fumantes passivos também tem sua saúde prejudicada, que foram criadas leis, como a aprovada em 2011, que proíbe o ato de fumar dentro de estabelecimentos fechados. Até ai tudo bem, mas o que isso tem a ver com quererem ditar o que eu devo ou não comer? A decisão de consumir produtos de origem animal já não é uma apenas uma escolha pessoal, se existe outro ser que é afetado, semelhante ao caso do cigarro. Se existe alguma vítima ou alguma relação direta ou indireta com a liberdade do outro, a justificativa de ser uma decisão pessoal não é mais válida. Se você por algum motivo considera que animais não devem ser incluídos nessa correlação, provavelmente está desconsiderando a senciência deles, ou seja, sua capacidade de sentir dor, medo e outras sensações que nós humanos também sentimos. Nisso, inclui-se o direito de optar entre viver e morrer ou simplesmente o de não querer sentir dor que não está sendo levado em conta quando se opta em consumir determinados alimentos. Se esses direitos não estão sendo respeitados, a sua liberdade terminou onde a do outro começou. É por esse motivo que existe uma insistente tentativa por parte de veganos em provocar mudanças e em demonstrar que sua decisão já não é apenas sua liberdade se acarreta também em consequências que não estão apenas relacionadas a você.


Imagem: Reprodução

Coloquemos uma situação hipotética onde não consideramos os desejos dos animais. Segundo relatório da ONU, 70 por cento das novas doenças que infectam os homens provém de animais. Gripe Aviária, Gripe Suína (H1N1), Vaca Louca, pelos seus próprios nomes já nos mostram a origem de tais doenças. A atual COVID-19, apesar de ainda não ter sua origem definida, teve início em um mercado de animais silvestres de Wuhan, China. A grande resistência a antibióticos e a aparição de superbactérias cada vez mais resistentes, também é consequência do nosso consumo desenfreado de carnes, ovos, leite etc.


Setenta e cinco por cento (75%) das terras aráveis no mundo são ocupadas pela pecuária, a maior parte dos grãos produzidos no mundo, que poderiam ser destinados ao homem, são transformados em ração animal, 90% do desmatamento da Amazônia é consequência da agricultura animal. A agropecuária é responsável pela maior emissão de gás metano no mundo, um dos gases mais perigosos para o planeta. Zonas mortas nos mares quadriplicaram desde 1950. Segundo as nações Unidas os desastres ecológicos do consumo de carnes e derivados são “catastróficos” e a melhor maneira de reverter o atual cenário, é mudando nossa alimentação.


Portanto, mesmo em um cenário de total desprezo aos animais e suas vontades, ainda assim sua decisão estaria trazendo consequências diretas e indiretas na qualidade de vida, saúde e no mundo de outras pessoas, e não só pode como deve sim ser pontuada e questionada.



Provocar reflexões de maneira respeitosa e influenciar em mudanças positivas, é um direito sensato daqueles que estão sendo afetados pela sua escolha e deve ser entendido como algo positivo, e não como uma afronta a sua liberdade. Percebe-se que a preocupação do que você come não está nas consequências individuais, como, por exemplo, se você está ingerindo muito açúcar, sal ou alimentos gordurosos e que afetem apenas a você, e sim em algo coletivo, onde outros seres também são afetados. Porém, recebemos a crítica: “Você deveria diminuir a quantidade de sal que consome.”, muito melhor do que: “Você deveria repensar e parar de comer carne”. Por que será?

Sabemos que a postura de muitos veganos e vegetarianos na hora de tratar sobre temas assim é muitas vezes autoritária, deslocada, com viés de superioridade ou até certa agressividade. Por isso muitas vezes são chamados de chatos. Apesar de não acreditar na efetividade de tais abordagens e não as usar, entendo e peço ao leitor que procure entender também a dificuldade de muitas pessoas de representar de maneira calma os animais que nessas horas não têm como se defender. Quantas vezes lidamos de maneira mais irracional quando nos deparamos com injustiças ou quando tomamos as dores de outras pessoas? Vale a pena refletir.



Imagem: Reprodução

Quando se encontrar em ambientes de conflitos em geral, lembre-se do início do texto, tentando filtrar o que sairá da sua boca, tente entender o objetivo de cada um na discussão e o porquê da defesa de cada argumento, identifique os sentimentos que tudo aquilo te gera e tente administrá-los de certa forma, lembre-se então, do final do texto compreendendo o motivo da paixão dos outros para diferentes assuntos, tentando absorver de certa maneira o que considerar importante tentando não despertar nenhum sentimento negativo no outro e principalmente em você.


Em relação a sua alimentação, reflita se sua liberdade está invadindo a do outro, e principalmente veja o quanto suas atitudes estão de acordo com seus valores e sua essência. Pergunte-se se o seu paladar é mais valioso que a vida de um animal. Perceba se seu sentimento de raiva ou indignação quando confrontado por alguém, não está associado a um conflito interno com sua própria consciência. Questione-se se aquela pessoa não tem razão em pontuar algo de sua atitude que afete a vida dela.


E por fim, reflita: “Será que não chegou a minha hora de mudar?”

Guilherme Fioravanti

Instagram @guilhermefioravanti


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